CAVIAR
“Os czars acreditam que nas profundezas escuras do mar Cáspio existe um peixe primitivo sem olhos que marca, como um relógio, a única hora certa do universo”, é assim, envolta em mistérios, que nasce a história do caviar, as preciosas ovas de alguns tipos de esturjão, um peixe pré-histórico enorme que hoje em dia chega a pesar quase 400kg, o qual encantou e conquistou os gostos de muita gente interessante há séculos e séculos.
Caviar, palavra de origem do persa chav-jar, ou “delicatesse do poder” em uma tradução própria, fazia referência aos rituais de ingerir ovas de esturjão prensadas dos persas séculos atrás. O método era esse não só pelo paladar mas também porque naquela época, dadas condições menos favoráveis de conservação por falta de tecnologia disponível, o jeito de manter o prato saudável era salgá-lo (muito mais que hoje em dia) e prensá-lo. Os únicos que tinham acesso às ovas em si eram os nobres que as recebiam frescas, no fim acaba sendo uma questão de gosto, até o armador e magnata Aristóteles Onassis alegava publicamente que preferia o caviar prensado em conserva…
Dentre as possíveis formas de encontrar caviar, vindo desde o esturjão branco das Américas até o Siberiano, existem os 3 principais e inquestionáveis preferidos: o sevruga, ova do esturjão estrelado, de tamanho menor, o ossetra, proveniente do peixe médio que se adapta mais fácil ao ambiente, originário russo, e o raro beluga, ova do maior esturjão de todos os tempos, que, segundo dados históricos, chegou a alcançar, em meados do século XVIII, 2,100kg, uma fêmea de esturjão neste peso chegou a render, de acordo com os registros, quase 400kg de ovas beluga, quantidade que hoje em dia alcança facilmente a cifra de 900 mil dólares no comércio interno.
Sabendo que o sabor intenso de tal iguaria pode ser experimentado em ovos cozidos, sour cream, blinis (pequenos crepes de receita russa) ou puro mesmo; de acordo com o gosto de cada um, é uma boa indicar lugares nos quais há caviar de confiança. É o caso do Caviar Bar do Emirates Palace, cobiçado 7 estrelas de Abu Dhabi, que oferece ótimas combinações de origem iraniana, direto do mar Cáspio, origem milenar do esturjão mais nobre; bem como do terraço do magnífico Chevre D’or, hotel no Sul da França famoso por sua localização no topo da montanha da vila medieval de Eze, oferecendo uma vista espetacular, mencionado em coluna anterior publicada no site, que possui menus degustação de caviar acompanhado de Dom Perignon Vintage, uma combinação e tanto.
Para quem prefere curtir tais prazeres em casa há sempre grandes distribuidoras de caviar e produtos finos como a Petrossian, francesa especializada no ramo que aliás inaugura em 2010 sua sede brasileira em São Paulo, ou várias outras como a inovadora Zwyer Caviar, empresa suíça que, com auxílio de especialistas russos, conseguiu cultivar esturjões para obtenção de caviar ossetra aqui pertinho, no Uruguai, como diz o blog Caviarist, especializado no assunto (http://www.caviarist.com/).